Ontem eu tive a sensação gostosa de voltar às minhas origens. De me reconhecer um pouco mais. Com os acontecimentos do dia a dia fica difícil de saber quem você é, mais ainda o que você quer. Ontem eu me lembrei daquilo que nunca quis esquecer.
Tive o prazer de ir ao lançamento do livro do meu ex-professor da faculdade, Marco Moretti, um cara que me ensinou muito - e já me intrigou muito, como é comum em qualquer relação aluno/professor.
Ele sempre me inspirou pelas aulas e pela forma como faz jornalismo. O mais gostoso foi ainda encontrar vários outros professores que ajudaram a formar minha opinião sobre o que quero que essa profissão traga pra mim.
Na faculdade tudo é mais fácil, porque lá podemos ser o profissional que quisermos, defender as ideias que simplesmente acreditamos. Pena que não aproveitei mais, já que na vida profissional cotidiana, as coisas não funcionam exatamente assim.
Ontem eu voltei a ser aquela pessoa que eu sempre gostei de ser, com minhas opiniões e vontades respeitadas. Rever professores que te reconhecem da mesma forma que antes é delicioso.
E é por isso que sempre defenderei as pessoas que acreditam em mim. Por mais que estejam longe, ainda fazem um bem danado.
Mesmo sabendo que a vida hoje não é tão encantada como na faculdade, rever pessoas queridas nos fazem ver quem realmente somos. Eles me fizeram acreditar que não mudei tanto assim, apenas ando meio sem tempo de me enxergar.
domingo, 12 de junho de 2011
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Feche o livro e vá pro bar
Uma vez li ou ouvi que quem tem um livro nunca está sozinho. Não vou mentir que já acreditei muito nisso. Aliás, livro virou meio que um vício. Mas viver o mundo real também é necessário. E pode ser bem divertido.
Tanto que ontem, terça-feira, saí para vender alguns repetidos num sebo. Na verdade, confesso que o real motivo disso era encontrar uma amiga. Mas conseguir uns troquinhos não seria nada mal.
Depois do trabalho fomos almoçar num restaurante que costumávamos ir. O resultado disso, ou melhor, a conta disso a gente pula. Mas a conversa com gostinho árabe não tem preço.
Vila Madalena e a procura por um sebo. Ligo para o amigo Henrique, responsável por 75% da minha paixão pela leitura.
- Alô?
- Alô. Oi Ju, tudo bem?
- Sim, querido. Jogo rápido: estou na Vila Madalena e quero um lugar adequado para vender uns livrinhos.
Ele, de pronto: - Fradique Coutinho, a primeira ou segunda loja.
Digita no GPS daqui, xinga a tecnologia dali, e decidimos não ir mais. Vamos pro bar. Mudamos de ideia de novo e achamos a livraria mais rápido do que o tempo de estacionar e tirar os livros do porta-malas.
Na entrada da loja, um japonês todo sem jeito fala: humm, aqui já tem tanto livro. De qualquer forma, vamos ver o que tem aí.
Enquanto ele olhava o que tinha nas sacolas, tivemos tempo suficiente para achar vários livros da Agatha Christie. Além deles, peguei um exemplar de Nu e Cru, do Paulo Francis, igualzinho ao que ganhei de um querido amigo.
Conta do dia: menos livros vendidos e mais livros comprados pra casa. Algumas preciosidades imperdíveis e saímos com as sacolas mais cheias do que chegamos.
Dali para o nosso destino final foi um pulo. Chopinho gelado às quatro e meia da tarde é pra fazer inveja a qualquer um. Gente chegando, nostalgia, novidades e projetos inviáveis no ar.
Amigos que conviveram tanto com a gente que metade do tempo passamos tentando explicar o por quê da distância. Teve brinde até por estarmos ali.
O que me faz pensar que por mais divertido e mágico que seja ler uma história e se encantar com ela, quero ter a certeza de viver minha própria história.
Aquela real, que não está nas páginas de nenhum livro, mas que me deixa com vontade de fazer tudo de novo, mesmo que nem tanta gente assim vá compartilhar, apenas alguns personagens reais, mas perfeitos, nesta narrativa tão mágica que é a nossa vida.
Um brinde aos amigos. A todos os amigos.
Ah, o livro repetido do Paulo Francis? É para um amigo da categoria "que estão longe"
Tanto que ontem, terça-feira, saí para vender alguns repetidos num sebo. Na verdade, confesso que o real motivo disso era encontrar uma amiga. Mas conseguir uns troquinhos não seria nada mal.
Depois do trabalho fomos almoçar num restaurante que costumávamos ir. O resultado disso, ou melhor, a conta disso a gente pula. Mas a conversa com gostinho árabe não tem preço.
Vila Madalena e a procura por um sebo. Ligo para o amigo Henrique, responsável por 75% da minha paixão pela leitura.
- Alô?
- Alô. Oi Ju, tudo bem?
- Sim, querido. Jogo rápido: estou na Vila Madalena e quero um lugar adequado para vender uns livrinhos.
Ele, de pronto: - Fradique Coutinho, a primeira ou segunda loja.
Digita no GPS daqui, xinga a tecnologia dali, e decidimos não ir mais. Vamos pro bar. Mudamos de ideia de novo e achamos a livraria mais rápido do que o tempo de estacionar e tirar os livros do porta-malas.
Na entrada da loja, um japonês todo sem jeito fala: humm, aqui já tem tanto livro. De qualquer forma, vamos ver o que tem aí.
Enquanto ele olhava o que tinha nas sacolas, tivemos tempo suficiente para achar vários livros da Agatha Christie. Além deles, peguei um exemplar de Nu e Cru, do Paulo Francis, igualzinho ao que ganhei de um querido amigo.
Conta do dia: menos livros vendidos e mais livros comprados pra casa. Algumas preciosidades imperdíveis e saímos com as sacolas mais cheias do que chegamos.
Dali para o nosso destino final foi um pulo. Chopinho gelado às quatro e meia da tarde é pra fazer inveja a qualquer um. Gente chegando, nostalgia, novidades e projetos inviáveis no ar.
Amigos que conviveram tanto com a gente que metade do tempo passamos tentando explicar o por quê da distância. Teve brinde até por estarmos ali.
O que me faz pensar que por mais divertido e mágico que seja ler uma história e se encantar com ela, quero ter a certeza de viver minha própria história.
Aquela real, que não está nas páginas de nenhum livro, mas que me deixa com vontade de fazer tudo de novo, mesmo que nem tanta gente assim vá compartilhar, apenas alguns personagens reais, mas perfeitos, nesta narrativa tão mágica que é a nossa vida.
Um brinde aos amigos. A todos os amigos.
Ah, o livro repetido do Paulo Francis? É para um amigo da categoria "que estão longe"
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Pedro Juan Gutiérrez - Nada como ter percepção de si mesmo
A primeira vez que li Trilogia Suja de Havana foi também a primeira vez que li Gutiérrez. Não dá pra parar. É uma leitura tranquila, gostosa, que você já começa a pensar no próximo que vai ler.
Agora nunca pensei que pudesse encontrá-lo ao vivo. E melhor, escutar o que ele pensa. Ele me fez perceber em uma hora o quanto a vida é simples. Simples só pelo fato da gente parar de complicá-la.
Existe muito rótulo, muita intolerância e gente chata. Gente politicamente correta dá nos nervos. Eu concordo com ele quando diz que a liberdade é que traz a reflexão. Acredito nele porque, de certa forma, eu consigo sentir intensidade nas coisas, assim como ele escreve.
Posso sentir o mesmo ódio e desprezo como ele sente desejo por suas mulheres. Posso sentir o cansaço e a luta de conseguir transpor regras e fazer do seu jeito. Mesmo que pagando o preço por tudo isso.
Em seus livros é possível enxergar o autor tendo a percepção de si mesmo e a explicação de se reconhecer enquanto lê. E não pela mesma vida, moro no Brasil, ele vive em Cuba. Mas conseguir absorver a fórmula, não as palavras.
Ele é tão intenso que te obriga a ser também. E da maneira mais profunda e dolorosa que isso possa ser.
Eu posso odiar, como posso amar. Posso desistir ou lutar por quem ou o que eu quiser.
Mas o que não dá é para parar de tentar entender o que se passa em cada gesto do mundo, das pessoas, dos lugares e de quem os torna vivos, prontos para transformar as suas experiências de cada dia em pequenas histórias de vida.
Ele me ensinou tudo isso. Eu agradeço e assino embaixo!
Agora nunca pensei que pudesse encontrá-lo ao vivo. E melhor, escutar o que ele pensa. Ele me fez perceber em uma hora o quanto a vida é simples. Simples só pelo fato da gente parar de complicá-la.
Existe muito rótulo, muita intolerância e gente chata. Gente politicamente correta dá nos nervos. Eu concordo com ele quando diz que a liberdade é que traz a reflexão. Acredito nele porque, de certa forma, eu consigo sentir intensidade nas coisas, assim como ele escreve.
Posso sentir o mesmo ódio e desprezo como ele sente desejo por suas mulheres. Posso sentir o cansaço e a luta de conseguir transpor regras e fazer do seu jeito. Mesmo que pagando o preço por tudo isso.
Em seus livros é possível enxergar o autor tendo a percepção de si mesmo e a explicação de se reconhecer enquanto lê. E não pela mesma vida, moro no Brasil, ele vive em Cuba. Mas conseguir absorver a fórmula, não as palavras.
Ele é tão intenso que te obriga a ser também. E da maneira mais profunda e dolorosa que isso possa ser.
Eu posso odiar, como posso amar. Posso desistir ou lutar por quem ou o que eu quiser.
Mas o que não dá é para parar de tentar entender o que se passa em cada gesto do mundo, das pessoas, dos lugares e de quem os torna vivos, prontos para transformar as suas experiências de cada dia em pequenas histórias de vida.
Ele me ensinou tudo isso. Eu agradeço e assino embaixo!
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Se otimismo é bom, então guarde pra você
Eu não gosto muito de ler autoajuda. Digo com a convicção de quem já leu vários. Por gosto, pra ver se ajudava ou só pra descer goela abaixo mesmo. Mas até aí, tudo bem.
Se você gosta, é válido pela leitura. Só não queira sair por aí distribuindo amor por todos os lados. Tem dias que eu não quero ser positiva. Quero sentir raiva e preciso de liberdade e espaço pra isso.
Então, não adianta me falar que tenho que ser otimista, que precisamos pensar em coisas boas ou querer ensinar como ter uma vida mais feliz. Isso é coisa de gente que acabou de sair de algum ritual, reunião, grupo de estudo ou seja lá o que for.
Não recrimino. E nem venha me acusar de bulling. Me poupe disso, por favor. Só não aceito que seja desta forma. Eu aprendi que temos que ser otimistas, positivos e elevar o pensamento.
Mas você, amigo otimista, também deve ter ouvido que encontrar este equilíbrio tem de ser de verdade e convivendo com pessoas que te proporcionem essa vibração. De graça, sem imposição.
Mas você, amigo otimista, também deve ter ouvido que encontrar este equilíbrio tem de ser de verdade e convivendo com pessoas que te proporcionem essa vibração. De graça, sem imposição.
Então, quando eu quiser sentir raiva, não me diga o contrário, porque não estará ajudando. Percebe que energia atrai energia?
Faça o seguinte: primeiro equilibre suas energias e, ao invés de me mandar ficar calma, tente acalmar ao seu redor, e mantenha sempre a boca fechada.
Daí, se for o mesmo ar que eu respiro, com certeza o seu silêncio vai me ajudar muito mais do que a sua ordem, que com certeza vai entrar por um ouvido e sair pelo outro, assim, de mansinho. A casa agradece.
Faça o seguinte: primeiro equilibre suas energias e, ao invés de me mandar ficar calma, tente acalmar ao seu redor, e mantenha sempre a boca fechada.
Daí, se for o mesmo ar que eu respiro, com certeza o seu silêncio vai me ajudar muito mais do que a sua ordem, que com certeza vai entrar por um ouvido e sair pelo outro, assim, de mansinho. A casa agradece.
sábado, 14 de maio de 2011
Trilogia Nua e Crua
Eu nunca fui à Cuba. Mas era um dos planos do primeiro ano de faculdade. Aquele que se faz com a amiga e que você jura que não vai falhar. Mas falha.
Não fomos à Cuba, mas adoro ouvir relatos de quem esteve por lá. Pelo motivo que for. De férias, a trabalho ou para um contrabandozinho. Eu sempre gostei de saber dos detalhes daquele lugar, algo a mais do que Fidel e socialismo.
Eis que cai em minhas mãos um livro de Pedro Juan Gutiérrez, presente de um amigo, Trilogia Suja de Havana (Alfaguara, 2008) e que hoje posso confessar uma certa paranóia com ele. Racionalizei as páginas e só lia dez por dia. Por conta daquela sensação ruim de que ele vai acabar.
Não fomos à Cuba, mas adoro ouvir relatos de quem esteve por lá. Pelo motivo que for. De férias, a trabalho ou para um contrabandozinho. Eu sempre gostei de saber dos detalhes daquele lugar, algo a mais do que Fidel e socialismo.
O autor, Pedro Juan, é um jornalista nascido em Cuba em 1950 e que consegue mostrar Havana da maneira mais crua que se possa imaginar. Exatamente com a mesma verdade e com o mesmo impacto do relato de uma amiga, que saiu do Brasil para comprar charutos.
Ela, assim como ele, moraram em casas comuns, no centro de Havana e conviveram com toda a realidade que a classe média jamais conseguirá compreender “pois não se pode saber de nada sem enfiar o pé na lama”.
São 348 páginas de vida comum, contada de maneira até agressiva de tanta realidade. Suas experiências na cadeia, o comércio de qualquer coisa que movimenta a cidade – e que faz com que as pessoas não morram de fome – a relação com o sexo, tão intenso quanto sua aversão por mulheres perfumadas.
Pedro é tão direto que a todo momento você pode sentir o cheiro dos cortiços, o suor do sexo enaltecido por ele e da criação de porcos e galinhas no quintal.
Trilogia Suja de Havana é um relato de vida corajoso, de quem se acostumou a viver no lixo, e que não consegue mais se abalar com isso.
É um relato de quem nunca desistiu de lutar por uns dólares, de ir para “os states” ganhar a vida, ou simplesmente de correr atrás de um gole de rum.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Ele tá de saia, de bicicletinha...
O mundo todo só fala na morte de Osama bin Laden. Mas eu sinceramente queria que outra coisa morresse. As ideias mirabolantes de nosso prefeito Kassab. Tô pensando até em cancelar a minha assinatura do jornal.
Explico: Ontem, domingão, uma matéria me fez perder a vontade de ler. Kassab, nosso prefeito, teve mais um insight maravilhoso para ajudar a nossa cidade.
Segundo reportagem da Folha de SP, ele proibiu vagas de estacionamento para os novos prédios da Cohab (conjunto habitacional popular).
O motivo que ele alega é que encarece a obra. Humm, é mesmo? Nem vou comentar porque esse é só o segundo motivo. O primeiro é que, dessa maneira, ele pode forçar a população a andar de bicicleta.
Imaginou? Todo mundo atravessando a cidade para trabalhar... de bicicleta? Temperatura ótima pra gente chegar no trabalho limpinho, cheiroso. Várias ciclovias em boas condições.
Lugares seguros pra gente parar a bicicleta. Borracharias especializadas a cada esquina da cidade. E a vantagem: em dias de chuva não correremos o risco de perder o carro.
Lugares seguros pra gente parar a bicicleta. Borracharias especializadas a cada esquina da cidade. E a vantagem: em dias de chuva não correremos o risco de perder o carro.
Na verdade deve ser realmente uma boa ideia. Assim, os transportes públicos ficam ainda mais lotados e acabam desafogando o trânsito para os mais abastados moradores da cidade. E as pobres montadoras não vão precisar frear as vendas.
Se você faz parte da população de baixa renda, aproveite. Além de comprar a sua casa com menor custo, você será ecologicamente correto. Nunca foi tão elegante ser pobre.Vai dar certinho. E vai acontecer.
terça-feira, 26 de abril de 2011
E a homenagem vai para...
Acabei de ler num blog de uma famosa que José Dirceu receberá uma homenagem.
Políticos aparecem em escândalos, estão envolvidos em todas as CPIs, lavam dinheiro, desviam verba pública, mas sempre, sempre recebem homenagem por onde passam.
Os nomes de políticos estão em todos os lugares. Pontes, estádios, aeroportos etc. Poderia ficar horas enumerando a infinidade de placas com nomes dos ilustres representantes.
Agora me pergunto. Quem é que decide qual o nome dar para essas coisas? Quem decide quem será homenageado?
Por que eles são homenageados? Por que fazem "bem" o seu trabalho? Eu também faço e não levo nada a mais por isso. Nem uma bonificaçãozinha.
Além disso, fazer o trabalho não é mais do que a obrigação dos representantes do povo.
Mas se precisar atender uns telefonemas a mais, eu vou achar bem elegante subir o viaduto Juliana Zorzato.
É só pedir para me homenagear que eu deixo.
Políticos aparecem em escândalos, estão envolvidos em todas as CPIs, lavam dinheiro, desviam verba pública, mas sempre, sempre recebem homenagem por onde passam.
Os nomes de políticos estão em todos os lugares. Pontes, estádios, aeroportos etc. Poderia ficar horas enumerando a infinidade de placas com nomes dos ilustres representantes.
Agora me pergunto. Quem é que decide qual o nome dar para essas coisas? Quem decide quem será homenageado?
Por que eles são homenageados? Por que fazem "bem" o seu trabalho? Eu também faço e não levo nada a mais por isso. Nem uma bonificaçãozinha.
Além disso, fazer o trabalho não é mais do que a obrigação dos representantes do povo.
Mas se precisar atender uns telefonemas a mais, eu vou achar bem elegante subir o viaduto Juliana Zorzato.
É só pedir para me homenagear que eu deixo.
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